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Governo do AM paga despesas hospitalares de autoridades e amigos

Uma denúncia exclusiva: enquanto a população dormia no chão à espera de vagas em hospitais do SUS, o governo do Amazonas pagava com dinheiro público todas as despesas particulares de autoridades e amigos em um dos mais caros hospitais de São Paulo. De 2012 a 2016, R$ 4,5 milhões foram gastos para servir de plano de saúde 5 estrelas a alguns privilegiados.

Em fevereiro de 2013, o governo do estado mandou R$ 250 mil para o hospital público Codajás. No mesmo mês e ano, pagou a conta do tratamento médico do ex-prefeito de Santa Isabel do Rio Negro, no interior do Amazonas, Mariolino Siqueira, no hospital Sírio Libanês. O valor: mais de R$ 280 mil. Ou seja, R$ 30 mil a mais com as despesas de uma pessoa do que deu para um hospital inteiro. Mas não foi só com o Mariolino que isso aconteceu.

Segundo os ministérios públicos Estadual e Federal, o ex-prefeito, preso em 2016 por suspeita de corrupção, e outras 20 pessoas tiveram as contas de seus tratamentos particulares pagas pelo Governo do Amazonas.

Entre 2012 e 2016, foram R$ 4,5 milhões pagos ao hospital Sírio Libanês, de São Paulo, um dos melhores do país. Nesse período, o estado foi governado pelo atual senador Omar Azis e por José Melo, que está preso por suspeita de desvio de recursos da Saúde.

Em ofício encaminhado ao hospital Sírio Libanês, a Secretaria da Saúde amazonense informa que iria pagar os gastos do desembargador Domingos Chalub Pereira. No total, a conta passou de R$ 230 mil.

O Ministério Público diz que o Governo do Amazonas também arcou com as despesas de parentes de outros desembargadores do Tribunal de Justiça do estado. Entre elas, a de Maria da Graça Vieira, mãe do agora corregedor-geral Lafayette Carneiro Vieira Júnior: R$ 130 mil, em julho de 2015. Dois meses depois, a secretaria bancou então o tratamento da mulher dele, Giovana: R$ 24 mil.

De fevereiro de 2013 a março de 2014, o governo pagou outros R$ 345 mil pelo tratamento de Fabiano Figueiredo, sobrinho da desembargadora Graça Figueiredo. De julho a dezembro de 2014: mais R$ 165 mil, com Yara Simões, irmã do desembargador Yedo Simões, atual presidente do Tribunal de Justiça.

Mas o valor mais alto não foi para um juiz. Foi para o tratamento do colunista social Alex Deneriaz, que morreu em abril de 2015. As notas fiscais emitidas em julho daquele ano somam R$ 785 mil, R$ 130 mil a mais do que o governo gastou em todo o Instituto de Saúde da Criança do Amazonas, no mesmo mês.

Em depoimento, o ex-secretário estadual da Saúde, Pedro Elias, afirmou que recebia ordens da Casa Civil para fazer esses pagamentos. Nesta semana, o Ministério Público entrou com uma Ação Civil Pública contra ele e contra o também ex-secretário estadual de saúde, Wilson Alecrim, e o secretário executivo da pasta nas duas gestões, José Duarte.

Procurado pelo Fantástico, o ex-secretário, Pedro Elias, disse que não vai se manifestar. Wilson Alecrim foi contatado por meio de seu advogado, mas optou por não se pronunciar. José Duarte, que está passando por um tratamento contra um câncer, não foi localizado.

Os dois ex-governadores disseram desconhecer os fatos e a investigação. Por telefone, o ex-prefeito de Santa Isabel do Rio Negro, Mariolino Siqueira, que está em prisão domiciliar, confirmou que o seu tratamento foi pago com dinheiro do estado, mas disse não saber que isso era irregular.

Também por telefone, a família do colunista social Alex Deneriaz disse que não sabe quanto foi gasto no tratamento dele nem quem arcou com as despesas.

Entre os desembargadores que tiveram as despesas médicas pagas, Domingos Chalub disse que apenas a estadia no hospital foi bancada pelo governo e que procurou pessoalmente o secretário de saúde para devolver o dinheiro, mas não teve resposta. A desembargadora Graça Figueiredo não respondeu à reportagem.

O desembargador Lafayette Carneiro negou que as despesas da mulher e da mãe dele no Sírio Libanês tenham sido pagas pelo estado. Já Yedo Simões disse que o pagamento das despesas da irmã foi feito "pelas vias legais" e que havia convênio entre o governo do estado e hospitais de outras regiões. O Ministério Público nega essa informação.

Em nota, o Sírio Libanês diz que recebeu pedido da Secretaria de Saúde do Amazonas para prestação de assistência hospitalar e que fez os serviços. Também disse que enviou todas as informações referentes a esses atendimentos ao Ministério Público.

A Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas informou que as acusações dizem respeito à gestão anterior e que está colaborando com as investigações. Veja na reportagem do Fantástico.

Fonte: Globo.com

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