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Deputados 'trocam' debate sobre agrotóxicos por foto de mulher seminua e futebol

BRASÍLIA — Depois de seguidos adiamentos e de uma série de discussões acaloradas, os deputados da Comissão dos Agrotóxicos votaram nesta segunda-feira o parecer do relator Luiz Nishimori (PR-PR) que flexibiliza as regras para a comercialização do produto no Brasil. Em quase dois meses de debates, o assunto mobilizou a atenção diferentes setores da sociedade, opondo representantes do agronegócio e um amplo movimento formado por artistas, ambientalistas e dirigentes de entidades ligadas ao meio ambiente e à área da saúde.

Apesar de todo o interesse em torno do assunto, alguns deputados encontraram questões mais urgentes para prestar atenção. Durante os debates acalorados, o deputado César Halum (PRB-TO), por exemplo, se divertia olhando a foto de uma mulher seminua em seu celular. Flagrado pelo GLOBO, Halum colocou a culpa no seu aparelho que seria “invadido por besteiras" a todo momento.

— É o seguinte: você abre o celular, aí os caras vão e colocam isso aí. Eu abro toda hora para ver mensagem e aí de vez em quando vem isso aí. Também não vou olhar uma foto de macho com pau duro olhando para mim. Não tem nada a ver isso aí, não — justificou Halum.

Enquanto o colega olhava fotos de mulheres, o deputado Victório Galli (PSL-MT) se divertia acompanhando o jogo entre Portugal e Irã pela Copa do Mundo, que terminou com o placar empatado e com a classificação da equipe de Cristiano Ronaldo para a segunda fase.

O GLOBO procurou o deputado, mas ele não retornou as ligações.

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Ambos os deputados flagrados votaram a favor do projeto que regula os agrotóxicos. O projeto foi aprovado por 18 votos favoráveis e nove contrários.

Grupos ambientalistas dizem que o projeto afrouxará a regulação dos agrotóxicos e poderá trazer riscos para a saúde humana. Eles apelidaram o projeto de "PL do Veneno". Já os ruralistas, que são a favor da proposta e formaram maioria, dizem que a mudança trata da diminuição da burocracia no processo de certificação dos produtos e que não há risco para os consumidores.


Na prática, a proposta garante autonomia ao Ministério da Agricultura para registrar novos agrotóxicos, tirando da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) o poder de veto que atualmente esses órgãos têm.

Fonte: O GLOBO

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